Entrevista Mistério

Olá pessoal hoje trago-vos mais uma entrevista. Desta vez trago um tema não muito falado na minha opinião mas que precisa de mais aceitação na sociedade. Hoje vou entrevistar um homem transexual que se chama Ivan.



Quem és?

Sou o Ivan, tenho 18 anos e sou um homem trans.


Antes

Para ti o que é ser transgénero?

Ser trans é não se identificar com o género que foi atribuído à nascença com base no sexo biológico. Uma pessoa é trans quando o sexo biológico não corresponde ao seu género.


31/12/2017 (Estava a tomar Testosterona à 3 meses)

Com que idade percebeste que tinha nascido no corpo errado?

Muito cedo, com 4/5 anos, comecei a sentir que era "diferente". No entanto, só mais tarde, com 13/14 anos, é que tive mais noção do que sentia e do que era a transexualidade.


31/12/2017 (Estava a tomar Testosterona à 3 meses)


Qual foi a primeira pessoa à qual tu contaste que querias começar a transição?

Foi à minha melhor amiga/namorada da época.


31/12/2017 ( Estava a tomar Testosterona à 3 meses)


Sentes muito preconceito?

Sinceramente, não. As pessoas olham e ficam confusas. Mas, até agora, foram raras as situações em que senti preconceito.

7/02/2018 (Estava  a tomar Testosterona à 4 meses e meio)

Como os teus amigos/as e família reagiram quando tomaste essa decisão?

No geral, reagiram todos bem. Uns melhor que outros, mas ninguém reagiu mal.


7/02/2018 (Estava  a tomar Testosterona à 4 meses e meio)

Explica o processo de transição? Como tudo começou e em que fase estás?

Eu comecei a ser acompanhado por duas pedopsiquiatras com 16 anos (em 2015). Infelizmente, elas não estavam informadas sobre o assunto e acabaram por me atrasar o processo. Há uma lista de profissionais específicos que estão habilitados para acompanhar estes casos e elas não estavam nessa lista. Quando descobri que elas não estavam na lista, confrontei-as. Na altura, disseram que, como era menor, tinha de ser avaliado por pedopsiquiatras (psiquiatras de crianças), porém, isso não é verdade; a partir dos 16 já se pode começar a ter consultas com psiquiatras. Por causa desse contratempo, só comecei a ter consultas com uma profissional habilitada em maio de 2017 (com 17 anos). Mais tarde, em Agosto, quando fiz 18 anos, as profissionais que me acompanham (uma psiquiatra e uma psicóloga) passaram-me o relatório médico para poder alterar o nome e o sexo no registo civil. Fiz essas alterações em Setembro e também foi nesse mês que comecei a terapia de reposição, hormonal depois de começar a ser acompanhado por uma endócrinologista.
P.s.: Há uns anos (não sei ao certo mas penso que foi em 2015), fui diagnosticado com síndrome do ovário policístico/poliquístico. Esta síndrome consiste no desenvolvimento de quistos nos ovários que, para além de causarem dores, resistência à insulina e infertilidade, também provocam um desequilíbrio hormonal, fazendo com que o corpo da pessoa em questão produza mais testosterona do que o que seria normal para uma "mulher". Por causa disso, eu sempre tive um corpo mais "masculino", mesmo antes de começar a terapia hormonal (nomeadamente, uma quantidade anormal de pêlos nas pernas, axilas, costas).


7/02/2018 (Estava  a tomar Testosterona à 4 meses e meio)

Como te sentiste quando começaste o processo de transição?

Como já disse, o início do meu processo foi um pouco conturbado. Mas quando mudei o nome e comecei a terapia hormonal, quando vi que o processo estava realmente a progredir, senti-me mais feliz do que nunca.


7/02/2018 (Estava  a tomar Testosterona à 4 meses e meio)

Como é que a tua vida mudou quando decidiste começar a mudança para o teu verdadeiro género?

Para dizer a verdade, penso que só mudou para melhor. Melhorou a minha auto-estima e autoconfiança, deu-me esperança, motivação, força e vontade de viver.


Atualmente

Dá um conselho ou uma frase para aquelas pessoas que assim como tu acham que nasceram no corpo errado.

-1º Não desistam! Acreditem que as coisas só tendem a melhorar!
-2º Tenham paciência. Nem toda a gente vos vai compreender e o melhor que podem fazer em relação a isso é educar essas pessoas, visto que a maioria não entende ou tem preconceito em relação à transexualidade apenas por falta de informação e ignorância.
-3º Tenham cuidado ao pesquisar sobre o processo na internet. A maioria dos dados sobre o assunto são de outros países (relativos ao EUA, maioritariamente) e o processo varia de país para país, logo, alguns aspectos podem não se aplicar a Portugal.

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